segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Parto prematuro e doenças da boca - mito ou realidade?


Diz o ditado popular nos Estados Unidos que "para cada gravidez, um dente perdido".  É certo que muitas mulheres acreditam mesmo que, ao engravidar, os dentes 'enfraquecem' e acabam sendo removidos depois do nascimento do bebê.  Mas, na verdade, o 'enfraquecimento' dos dentes na gravidez é resultado da maior ingestão de alimentos, porque a mulher sente mais fome, come mais vezes por dia e consome maior quantidade de doces, o que acaba levando ao desenvolvimento de cáries.
A maioria das mulheres tem medo de ir ao dentista durante a gravidez, por acreditarem que o uso de anestesia odontológica ou obtenção de radiografias poderia prejudicar o desenvolvimento do bebê e, mesmo que sintam necessidade de tratar seus dentes, preferem deixar para depois do nascimento do bebê.  E isso não acontece só no Brasil, mas também em outros países mais desenvolvidos, como os Estados Unidos.  O grande problema é que, ao não tratar os dentes quando o problema aparece só agrava a situação, podendo levar à dor e até mesmo à perda do dente.
Porém, pior do que a perda do dente por cárie, pode ser o desenvolvimento ou o agravamento de problemas na gengiva durante a gravidez.  Nesta fase, os níveis dos hormônios femininos (estrógeno e progesterona) estão aumentados no sangue, o que modifica o tipo de bactéria que se instala ao redor dos dentes.  Algumas espécies de bactérias aumentam em número mais do que outras, levando ao sangramento aumentado da gengiva.  Além disso, os hormônios modificam a resposta que o organismo da mulher dá à agressão das bactérias, fazendo com que ocorra grande inflamação gengival na presença de qualquer deficiência nos métodos de higiene dos dentes.  Quando a inflamação da gengiva aumenta durante a gravidez, aumenta também o risco de parto prematuro.  Isso quer dizer que quanto maior a gravidade da inflamação gengival maior é o risco do bebê nascer antes da hora ou de nascer com baixo peso.
Muitos estudos recentes realizados no Brasil e em outros países do mundo concluíram que o tratamento da inflamação gengival, quando realizado antes de completar 28 semanas de gestação, é capaz de reduzir o risco de parto prematuro e do nascimento de bebês de baixo peso, sem risco para a mãe nem para o bebê.
Por isso, se você estiver grávida, procure seu dentista para avaliação da saúde da gengiva.  Se você estiver pensando em engravidar, procure antes seu dentista para avaliação e tratamento da inflamação gengival, incluindo a remoção da placa e do popular tártaro.  Seu bebê agradece!


Nota: Adriana Sant'Ana é Professora Livre Docente da disciplina de Periodontia da Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia de Bauru

Um comentário:

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